LUIZ (MARTINS) CODORNIZ

(Tenor)

Natural de Uruguaiana, estudou canto em Buenos Aires por um ano. Foi para a Europa com a família e aos 18 anos de idade classificou-se em concurso para um período

de cinco anos no Conservatório Real de Milão. Estreou com 23 anos no Teatro Politema, da cidade de Spezia. A seguir foi para o Teatro Carlos Felice, onde Túlio Serafim era

o Diretor de Orquestra. Cantou também no Teatro Constante, de Roma, chegando,

por fim, ao Alla Scala de Milão, agora já com nome famoso - contam que Codorniz chegou a substituir o célebre tenor Jussi Björling em uma récita no templo maior da ópera, o mítico Alla Scala.

Em 1923, voltou ao Brasil - mais precisamente a Uruguaiana - para visita a parentes, tendo aproveitado a ocasião para realizar dois concertos em Porto Alegre, onde obteve sucesso absoluto.

Codorniz conseguiu atingir aquele ponto máximo, perseguido por todos cantores:

a fama mundial!

Suas palavras:

“Nem tentei vir cantar no Brasil, porque sabia que as Companhias Líricas aqui têm vida efêmera. Lá na Itália é diferente, todos cantam e gostam de música, os bons cantores têm futuro certo. Ganhei muito dinheiro, é verdade, mas hoje nada possuo porque

era jovem e não pensava na velhice, levando uma vida de nababo.”


Segue falando Codorniz em reportagem dada ao jornal A Hora, em abril de 1960:

“-Quando surgiram os rumores da segunda guerra mundial, e não sendo a Itália país aliado, tive que retornar ao Brasil. Fui diretamente para Uruguaiana e fiquei num 

'dolce far niente' por muito tempo.
No início, pensei em formar uma Companhia Lírica, mas depois constatei não haver elementos em número suficiente e tampouco tal iniciativa seria do agrado do povo,

que só gosta do futebol. Mais tarde vim para Porto Alegre tentar ser professor de canto. Consegui um lugar no Conservatório Artístico Musical, onde estou há sete anos.
Só gostaria, para dar maior valor à minha vida de mestre, formar um discípulo,

um grande cantor.
Garanto que todos os alunos que passaram por minha sala de aula nem sequer imaginam quem foi este velho professor.
Assim finaliza Luiz Codorniz, com um sorriso triste estampado na face.”

PS: Curiosamente, meu pai, Carlos Moacir Rodriguez - que é Uruguaianense -, foi aluno

do tenor Codorniz e mantém viva em sua memória a beleza e poder da voz deste grande artista.

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